Autismo e BPC/LOAS: um direito que muitas famílias ainda desconhecem
Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) traz desafios diários que vão muito além do aspecto clínico. As demandas por acompanhamento médico, terapias contínuas e cuidados especializados impactam diretamente a rotina e o orçamento familiar.
O que muitas pessoas ainda não sabem é que a legislação brasileira garante um importante amparo assistencial nessas situações: o BPC/LOAS.
Pessoas com TEA podem ter direito ao BPC/LOAS
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um benefício assistencial, pago pelo INSS, que garante o pagamento de 1 salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que comprove situação de vulnerabilidade social.
A pessoa com autismo pode ser considerada pessoa com deficiência para fins legais, desde que demonstrados os impedimentos de longo prazo que dificultem sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas.
Importante destacar que o BPC não exige qualquer contribuição ao INSS.
Quais são os principais requisitos para o BPC/LOAS no autismo?
Para o reconhecimento do direito ao BPC/LOAS, é necessária a comprovação conjunta de requisitos médicos e socioeconômicos, tais como:
- Diagnóstico de TEA, com laudos e relatórios médicos atualizados;
- Comprovação de baixa renda familiar, conforme critérios estabelecidos em lei;
- Inscrição ativa e atualizada no Cadastro Único (CadÚnico);
- Avaliação social e, quando necessário, perícia médica do INSS.
Cada caso deve ser analisado individualmente, considerando a realidade da pessoa com TEA e de sua família.
Atenção: características do BPC que geram dúvidas
É comum que haja confusão sobre a natureza do benefício. Por isso, é essencial esclarecer que:
- ❌ O BPC não é aposentadoria;
- ❌ Não há pagamento de 13º salário;
- ❌ O benefício não gera pensão por morte para dependentes.
Apesar dessas limitações, o BPC cumpre um papel fundamental na garantia de dignidade, inclusão social e segurança financeira da pessoa com TEA.
Principais motivos de indeferimento do BPC para pessoas com TEA
Muitos pedidos de BPC são negados por falhas que poderiam ser evitadas, como:
- Laudos médicos incompletos ou desatualizados;
- Cadastro desatualizado no CadÚnico;
- Informações incorretas sobre renda familiar;
- Avaliação social inadequada da realidade familiar.
A falta de informação técnica costuma ser o principal fator de negativa indevida do benefício.
A importância da orientação jurídica especializada
A análise do direito ao BPC/LOAS para pessoas com autismo exige atenção especial, tanto aos aspectos médicos quanto aos critérios socioeconômicos.
A atuação de um advogado especializado em Direito Previdenciário contribui para:
- Avaliar corretamente o preenchimento dos requisitos legais;
- Organizar a documentação médica e social;
- Evitar erros no pedido administrativo;
- Adotar as medidas judiciais cabíveis em caso de indeferimento indevido.
Conclusão
O BPC/LOAS para pessoas com Transtorno do Espectro Autista é um direito garantido por lei e ainda pouco conhecido. A informação correta é essencial para evitar negativas indevidas e assegurar o acesso a um benefício fundamental para a qualidade de vida da pessoa com TEA e de sua família.
Compartilhar esse conhecimento é uma forma de promover inclusão e justiça social.
Sobre o autor
⚖️ Sidnei Nardini – Advogado
Especialista em Direito Previdenciário e Direito do Consumidor

Categoria: Artigos
Por: Sidnei Nardini
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